sexta-feira, 14 de março de 2008

O Genocídio armênio



Afinal quem fala hoje do extermínio dos armênios ? Hitler, em 1939, nas vésperas da invasão da Polônia.


Para muitos, esse é um momemto desconhecido da História mundial. Eu mesma não sabia quase nada até mudar para a Argentina e conhecer vítimas diretas do genocídio armênio. É importante que assuntos como esse não sejam esquecidos ou ignorados, e aqui vai a minha parte nessa luta pela memória.

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O genocídio armênio foi a matança e deportação forçada de centenas de milhares ou até mais de um milhão de pessoas de origem armênia que viviam no Império Otomano, com a intenção de arruinar sua vida cultural, econômica e seu ambiente familiar, durante o governo dos chamados Jovens turcos , de 1915 a 1917.

Está estabelecido que foi o primeiro genocídio do século XX, e há evidências do plano organizado e intentado de eliminar sistematicamente os armênios. Adota-se a data de 24 de abril de 1915 como início do massacre, por ser a data em que dezenas de lideranças armênias foram presas e massacradas em Istambul.

O atual governo turco não reconhece o genocídio armênio, o que inclusive é um dos temas de conflito na possível entrada da Turquia na União Européia. Recentemente, em 2007, o Congresso dos Estados Unidos reconheceu o genocídio, gerando tensões entre os norte-americanos e os turcos.

Em seu livro Bastidores obscuros da Revolução Turca, Mewlazada Rifar descreve a arquitetura do massacre:

Em princípios de 1915 o Comitê de União e Progresso, em sessão secreta presidiada por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa de extermínio integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr. Behaeddin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12.000 criminosos que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos armênios.
Alguns testemunhos:


Citação
«Em geral, as caravanas de armênios deportados não chegavam muito longe. À medida em que avançavam, seu numero diminuía com conseqüência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do esgotamento... Os mais repulsivos instintos animais eram despertados nos soldados por essas desgraçadas criaturas. Torturavam e matavam. Se alguns chegavam a Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem viveres, em lugares pantanosos do deserto: o calor , a umidade e as enfermidades acabavam, sem dúvida, com a vida deles.»

(René Pineau)


Uma viajante alemã escutou o seguinte de uma armênia, em uma das estações do padecimento de um grupo de montanheses armênios:

Citação
«Por que não nos matam logo? De dia não temos água e nossos filhos choram de sede; e pela noite os maometanos vêm a nossos leitos e roubam roupas nossas, violam a nossas filhas e mulheres. Quando já não podemos mais caminhar, os soldados nos espancam. Para não serem violentadas, as mulheres se lançam à água, muitas abraçando a crianças de peito.»

O governo cometeria ainda outra vileza: a maioria dos jovem armênios mobilizados ao começar a guerra não foram enviados à frente, mas integraram brigadas para construção de caminhos. Ao terminar o trabalho todos eles foram fuzilados por soldados turcos.

Jacques de Morgan assim se refere às deportações, aos massacres e aos sofrimento padecidos pelos armênios:

Citação
«Não há no mundo um idioma tão rico, tão colorido, que possa descrever os horrores armênios, para expressar os padecimentos físicos e morais de tão inocentes mártires. Os restos dos terríveis massacres, todos testemunhos da morte seus entes queridos, foram concentrados em determinados lugares a submetido a torturas indescritíveis e a humilhações que os faziam preferir a morte.»

(Jacques de Morgan)

Saiba mais:

No facebook:

Recognize Genocide - For All Those Who Know the Truth About Armenia

Support Armenia..remember the genocide!

Memorial em Rosário, Argentina


Saiba mais em: Wikipédia

9 comentários:

Lola disse...

Oi, Lívia,
Dá uma passadinha lá no "Consciência" e vê se pode atender ao pedido de ajuda de alguma forma.
Beijo.

Lola disse...

Oi, menina,
Obrigada pela visitinha, aproveita e vê minha resposta lá e tenta me ajudar com o "probleminha" ! :)
Beijo.

Zélia Pinheiro disse...

Oi Lívia também sou defensora do Reconhecimento do Genocídio Armênio, que até agora o meu governo(Brasil) infelizmente não reconheceu. Também gostaria de contribuir afirmando que até os curdos foram usados como "ponta de lança" no extermínio dos Armênios e depois foram traídos pelo governo turco da época que os havia enganado com falsas promessas de território.
Abs,
Zélia

Anônimo disse...

Podiam fazer um filme sobre o Genocídio na Armênia, feito brutalmente pelo povo Turco.
Por que só fazem filmes dos povos judeus, como pianista e Olga, lista de Chindler....Sendo que os judeus hoje matam da mesma forma, vingando-se de todos e do mundo. Sem o menor senso de atos pacifistas.

janine disse...

O que é mais triste é que insistem em não reconhecer o genocídio. São raras as pessoas que o conhecem,eu mesma conheço a pouco tempo. o objetivo dos turcos de de deixa-lo cair no esquecimento vinha sendo conquistado até pouco tempo, agora a voz dos Armênios e dos que reconhecem o genocidio tem se feito cada vez mais ouvir. Porem ainda há um longo caminho a percorrer, espero que logo logo o mundo veja o que foi o genocio armênio

Francisco disse...

Parabens pela reportagem esclarecedora.Eu confesso que nao conhecia nada a respeito do fato.É uma prova perfeita da falta de respeito e interesse,por parte dos que detem o poder,pelas minorias sem representatividade e sem potencial economico.Diferentemente do ocorrido com os judeus,este fato está enterrado na historia.
CAMILO SIDOU - MANAUS AM

Francisco disse...

Parabens pela reportagem esclarecedora.Eu confesso que nao conhecia nada a respeito do fato.É uma prova perfeita da falta de respeito e interesse,por parte dos que detem o poder,pelas minorias sem representatividade e sem potencial economico.Diferentemente do ocorrido com os judeus,este fato está enterrado na historia.
CAMILO SIDOU - MANAUS AM

renato disse...

estive na armenia no periodo de 1 a 12 de dezembro de 2010, estava a serviço, pude ver varios memoriais que tratam do inquestionavel genocidio. Existe um sentimento de tristeza por parte dos armenios pelo Brasil, que não reconheceu ate agora o genocidio, claro por questões politicas. PELO RECONHECIMENTO JÁ.

Anônimo disse...

É realmente muito triste, o reconhecimento é uma forma de conscientização a fim de evitar que situações assim voltem a ocorrer.